29 de abr de 2010

O Abril Despedaçado de Salles


Abril Despedaçado ganha pela sutileza de uma narrativa trágica onde as belas atuações fazem do filme um marco do cinema brasileiro. Com a calma de um baiano, Abril Despedaçado aproveita o árido cenário do interior da Bahia, como berço de uma história trágica, com um fim marcado, e tem como assinante um diretor mais que conhecido, Walter Salles.

Rodrigo Santoro é Tonho, um jovem trabalhador recluso do resto do mundo, vive junto com o irmão mais novo Pacu, chamado por muito tempo de menino, Pacu recebe este nome em homenagem ao peixe e ao livro que ganha de presente da dupla de artistas de circo que visita as cidades levando sua arte.

Devo ressaltar sobre as atuações dos personagens do “Pai”, José Dumont, e da “Mãe”, Rita Assemany, atores providos do teatro, por este motivo, acredito eu, que tenham se superado nas atuações, trazendo um drama que só o teatro poderia possibilitar. O pai vive em eterna discórdia e sede de vingança com a família inimiga. O motivo é o mais comum se tratando do interior: a luta por terras.

Depois de terem perdido um filho por este motivo, a vingança será regida por Tonho, o irmão. Logo no início do filme destaco a ação da corrida desesperadora entre a caça e o caçador, onde só é possível ouvir a respiração e os passos dos personagens. Por este assassinato Tonho receberá a faixa preta, faixa dada por seu inimigo que é amarrada no braço, simbolizando a marca de sua morte. Durante a película fica claro o duro destino que os personagens terão, clareza esta que se desfaz a medida do desembaraçar do enredo que surpreende.

A história do filme se passa no ano de 1910, e seu desenredar se dá no período de tempo que o personagem Tonho viverá. A tristeza infindável da morte certa acaba dando início do nascimento do amor por Clara - a artista de circo –, o conflito de relacionamento com o pai, a sede de viver com o irmão e a dura vida do nordeste.Temas muito bem trabalhados num filme sem muita ação, mas quando há ouriça os pelos do braço.

A trilha toda composta por Antonio Pinto é totalmente instrumental e linda, condizente às cenas do filme. Com uma belíssima fotografia à moda brasileira e luz natural, Abril Despedaçado, retoma o conhecido jeito de fazer uma película com retoques da cultura “nordestina”, sucesso quase que garantido no exterior.



8 comentários:

Luiz Brisa disse...

eu gostei
deve ser muito bom
qro ve
^^

http://vagalnerdkawai.blogspot.com/

29 de abril de 2010 11:55
Miau disse...

É realmente um filme bacana, embora o cinema brasileiro ainda seja deficiente e esteja limitado a certos tipos de roteiro. O que eu acho mais bacana é o título do filme, é do tipo que impacta e aumenta a aceitação da obra.

29 de abril de 2010 12:27
Tiaguim disse...

esse eu vi na escola a um tempinho atrás

eu lembro q gostei mto, mas com rodrigo santoro eu gostei mais do bicho de 7 cabeças

29 de abril de 2010 14:16
caiubi disse...

Hummm...
Gostei, realmente muito bom!

http://caiusama.blogspot.com/

29 de abril de 2010 14:19
Fabricio bezerra da guia disse...

eu não assisto muito filmes nacionais.só vejo os que todos falam,commo 2 filhos de francisco e tropa de elite...

deve ter um monte de joias por aí que pessoas como eu perdem por preconceito

29 de abril de 2010 14:55
Felipe Gozijo disse...

Oxa Fabrício, preconceito com filme brasileiro, cadê a aceitação de tudo? garanto que tu vê bastante novela. Só porque filme brasileiro não tem tantos efeitos sensacionais quantos os americanos, não significa que seja ruim.

Por exemplo, a grande maioria tem um ótimo roteiro, e não necessariamente fala de vilas e tráfico, como os mais conhecidos Salve Geral, Tropa de Elite ou a probreza de Central do Brasil, apesar da ótima fotografia.

Também acho que a atuação do Santoro em Bicho de Sete Cabeças está muito mais interessante do que Abril Despedaçado. A propósito teu texto fica confuso em partes, por exemplo quando tu fala do assassinato e da faixa preta, poderia ter explorado mais o filme.

E foi ótimo teres colocado filmes brasileiros aqui, como podes ver muitas pessoas desconhecem e tem preconceito, às vezes é bom abrir os horizontes, mostre-os que temos filme bons feitos em terras tupiniquins.

29 de abril de 2010 15:38
Arash Gitzcam disse...

Em termos de filmes brasileiros modernos, esse é mesmo um verdadeiro clássico. Assisti no cinema.

29 de abril de 2010 18:30
Ítalo Richard disse...

Esse fime é lindo, foi gravado próximo da minha cidade natal, tanto é que toda equipe de filmagens ficou hospedado em um hotel de lá, foi uma pena eu ter perdido a oportunidade de conhecê-los, em especial Walter Sales.

7 de maio de 2010 23:14