11 de out de 2009

Bandas, mulheres e o rock dos últimos anos



Por Paula Febbe

Fiquei pensando com os meus botões sobre uma grande banda de rock que tenha começado de dez anos pra cá e juro: NADA vem à minha cabeça.

Tem muita banda boa...Sem dúvida! Como fã, posso citar “The Raconteurs” e “Kings of Leon”, por exemplo.

Agora pensemos em alguma que a gente tenha certeza que vá fazer história e deixar um legado praticamente unânime para ser seguido por outras bandas que surgirão em 20 anos ou mais...Uma banda que se iguale à importância e tenha tido tanto destaque quanto “Led Zeppelin”, “The Doors”, “Nirvana” ou até mesmo “Kiss”.

Meio difícil, hein?!

Este questionamento, obviamente nos leva a outras perguntas: O que está acontecendo com o rock? A culpa é nossa? Nossa geração acabou virando a dos roqueiros “bunda-mole”?

Hoje o rock fala bastante sobre amor. Eu acho até legal. Ok. Importantíssimo falar sobre amor, mas cara...Cadê o rock que se revolta? Cadê o rock que fala mal da sociedade? Cadê o rock feito para questionar? Cadê o rock que ajuda a mudar o mundo?

Ok...Feitos estes questionamentos, agora vamos pensar em alguma banda de mulheres que tenha tido um grande destaque nos últimos dez anos (não vou nem entrar no mérito de anos anteriores). Novamente, uma banda que se iguale à importância e tenha tido tanto destaque quanto “Led Zeppelin”, “The Doors”, “Nirvana” ou até mesmo “Kiss”.

Mais difícil ainda, né?

Pois é! O que começou a acontecer nos anos 2000 é que ao invés das mulheres terem começado a ter espaço para falar sobre o que achavam da sociedade, os homens começaram a falar, principalmente, sobre amor também...

Assisti a uma entrevista bastante recente feita com a Joan Jett e ela disse sentir que “o mundo não aceita bem o rock cantado por mulheres...” Ainda! PORRA!!!

Está na hora da mulherada falar o que acha e, principalmente, ter espaço para isso. Estou cansada de ver mulheres inteligentíssimas, cheias de coisas interessantes pra dizer, escrevendo sobre ex-namorados, namorados, casos e transas ruins. Juro! Essas NÃO são nossas maiores preocupações em relação ao mundo. Aliás, será que alguém sabe disso? Se não, sinto dizer, mas a culpa é nossa, meninas...

Acho que está na hora de falar sério sobre o que não concordamos sem precisar ouvir que cada reclamação nossa é TPM. Podemos ser “muito mais machos que muitos homens”, sim! Com muito orgulho!

Que tal comemorar o próximo dia do rock construindo uma esperança maior em poder dizer que “o que escrevemos e cantamos poderá ajudar a mudar o que está errado” ?

Mãos à obra, garotas!

Nossa responsabilidade já existe e a mudança pode começar agora.

Enquanto isso, “Hole”, “Bikini Kill”, “Blondie”, “The Pretenders”, “PJ Harvey”, “Janis Joplin”, “Patti Smith”, a própria “Joan Jett” e afins serão muito bem apreciadas, obrigada.

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